sábado, 11 de agosto de 2012

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DOS PAIS...

Capa do livro: Pai Real, Pai Ideal - O Papel Paterno no Desenvolvimento Infantil, Crispim Antonio CamposPai Real, Pai Ideal - O Papel Paterno no Desenvolvimento Infantil
Everley R. Goetz e Mauro L. Vieira, 104 pgs.
Publicado em: 23/11/2009
Editora: Juruá Editora
ISBN: 978853622731-3
Preço: R$ 24,90

* Desconto não cumulativo com outras promoções e P.A.P.             

ÁREA(S)

  • Literatura - Educação
  • Psicologia
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    SINOPSE
    Cada pai e mãe sabem das maravilhas e das dificuldades que se têm frente à difícil e árdua tarefa de educar. São inúmeras as alegrias, os momentos felizes e os sorrisos... Mas também são constantes as dúvidas, as inseguranças e angústias quando nos deparamos com nossas crianças crescendo se lançando ao mundo.
    Esse lançar-se ao mundo exige dos filhos que tenham segurança e acreditem em si mesmos, mas exige também uma educação e um conjunto de cuidados que os conduza a enfrentar as mais diversas situações e adequar-se às demandas do convívio social com o intuito de se desenvolver em seu máximo potencial.
    Numa tentativa de compreender como os pais desempenham a tarefa de cuidado e de educação de seus filhos, foi realizada uma pesquisa para investigar o papel do pai na criação e na educação dos filhos, comparando-o ao papel da mãe. Ao longo das pesquisas prévias (para elaboração de uma dissertação de Mestrado), que serviram de base a este estudo, observou-se que comumente a mãe servia como principal informante para o desvelar do cuidado dispensado aos filhos, e em alguns poucos estudos, o pai também se constituía como um dos
    informantes.
    Entretanto, neste livro, pretendeu-se compreender como os filhos percebem o cuidado que os pais têm para com eles, visto que, nos inúmeros estudos anteriores, observou-se que era a opinião da mãe, do pai ou de ambos que prevalecia. Sendo assim, foi investigada a opinião dos filhos, porque ninguém melhor do que eles para dizer como percebem e sentem a forma de cuidado que lhes é dispensada pelos pais.
    Além disso, foram investigados aspectos reais e ideais do cuidado que os filhos esperavam de seus pais. Então, o papel do pai foi investigado em aspectos da realidade percebida e a partir dos desejos idealizados dos filhos em relação ao cuidado, ou seja, como eles são e como gostariam de ser cuidados e orientados.
    Todos os resultados aqui apresentados são baseados em estudos científicos e foram obtidos a partir do olhar dos filhos, ou seja, as percepções que os filhos têm sobre o cuidado do pai comparado ao da mãe em diversos aspectos, tais como: cuidados físicos, afetivos, instrutivos e cognitivos.
    Não se pretende fornecer uma “receita” de como os pais devem cuidar e educar seus filhos, mas nortear aspectos desse processo, fornecendo diretrizes do papel de cuidado e de interação que os próprios filhos atribuem aos pais. Além disso, foi realizada uma comparação entre a percepção que os filhos têm do cuidado paterno quando os pais são casados e separados, sendo observadas inúmeras diferenças entre o papel paterno nessas duas situações, a partir das quais são sugeridos aspectos que podem ser modificados para melhorar a relação entre pais e filhos quando a separação do casal for inevitável.
     
    CURRÍCULO DO AUTOR
    Everley R. Goetz é Doutora em Psicologia pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Professora e Coordenadora do curso de Psicologia da Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí – Unidavi. Realiza pesquisas e tem produção acadêmica conjunta com professores da UFSC. Atua em psicologia clínica com gestação, parto e puerpério, além de outros temas relacionados às famílias.

    Mauro L. Vieira é Doutor em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo (SP) e Pós-Doutor pela Dalhousie University em Halifax (Canadá); Professor do Departamento de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Trabalha na linha de pesquisa sobre cuidados parentais e desenvolvimento infantil no Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFSC; Coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Desenvolvimento Infantil (NEPeDI).

    HERANÇA MALDITA!


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    LER GERA INSATISFAÇÃO E INCONFORMISMO!

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    PARA QUEM NÃO GOSTA DE POLÍTICA...

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    Grandes são os desertos e tudo é deserto...

    Grandes são os desertos, e tudo é deserto.  
     Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto  
     Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.  
     Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes  
     Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,  
     Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu. 



     Grandes são os desertos, minha alma!
     Grandes são os desertos. 

     Não tirei bilhete para a vida,
     Errei a porta do sentimento,
     Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
     Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
     Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
     Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
     Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
     Senão saber isto:
     Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
     Grande é a vida, e não vale a pena haver vida, 

     Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
     Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
     Acendo o cigarro para adiar a viagem,
     Para adiar todas as viagens.
     Para adiar o universo inteiro. 

     Volta amanhã, realidade!
     Basta por hoje, gentes!
     Adia-te, presente absoluto!
     Mais vale não ser que ser assim. 

     Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
     E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito. 

     Mas tenho que arrumar mala,
     Tenho por força que arrumar a mala,
     A mala. 

     Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
     Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
     Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
     A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino. 

     Tenho que arrumar a mala de ser.
     Tenho que existir a arrumar malas.
     A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
     Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
     Sei só que tenho que arrumar a mala,
     E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
     E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci. 

     Ergo-me de repente todos os Césares.  
     Vou definitivamente arrumar a mala.  
     Arre, hei de arrumá-la e fechá-la; 
     Hei de vê-la levar de aqui,
     Hei de existir independentemente dela. 

     Grandes são os desertos e tudo é deserto,
     Salvo erro, naturalmente.
     Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado! 

     Mais vale arrumar a mala.
     Fim.

    Álvaro de Campos